Refletindo sobre a experiência dos Empórios Solidários de Bolonha, na Emília-Romanha italiana*

Texto escrito a pedido de Maria Augusta Nicoli, uma militante e gestora pública da reforma sanitária italiana e de diversas políticas intersetoriais, que conhece muito também do Brasil. Pessoa que tem o mesmo nome de minha avó, de quem sou amigo, admiro e adoro.

Fui em uma atividade do Laboratório Ítalo-brasileiro de práticas, formação e pesquisas em saúde coletiva que me proporcionou uma experiência singular e muitíssimo interessante. Com um grupo, visitei seis empórios solidários de Bolonha. Os empórios solidários são pequenas mercearias nas quais pessoas em situação de pobreza podem “comprar” mercadorias com uma moeda específica dos empórios que considera a condição de cada pessoa e família.

Para refletir sobre essa experiência, começo usando o compositor brasileiro Caetano Veloso. Em sua canção “Sampa”, ele imortalizou o verso “porque narciso acha feio o que não é espelho”. Tentei processar em mim mesmo esse estranhamento narcísico buscando um devir mais antropológico, fazendo um esforço racional e emocional de mergulhar na experiência, percebê-la desarmado de a priori e de conceitos pré-concebidos. Não é simples evitar os polos: seja aquele da “síndrome de vira-lata”, que tende a achar que tudo que vem de fora, especialmente dos países do norte global, é melhor, seja o outro polo que invalida a priori o que vem da Europa como possibilidade para os países do sul. Nisso o devir antropólogo ajuda. O caso é compreender o que é aquilo no contexto italiano para as pessoas implicadas. Refletir, aprender, maturar e, só depois, desenvolver como o aprendido pode enriquecer a práxis no nosso contexto, com nossas condições, desafios, objetivos e perspectivas.

Esse texto ensaístico processa a experiência usando o devir antropólogo e, depois, faz uso de referenciais de alguns estudos da sociologia e da economia para refletir como os aprendizados dessa experiência poderiam apoiar a formulação de iniciativas e políticas no Brasil.  

Tratando panoramicamente da experiência em si, que é riquíssima e vale muito a pena ser estudada, os empórios solidários são lojas não comerciais de centenas de produtos, naturais, manufaturados e industrializados, que têm o objetivo de assistir pessoas em situação de vulnerabilidade. Essas pessoas são aquelas que, por algum motivo e com acesso ou não a outros programas sociais, não conseguem adquirir os produtos necessários à sua subsistência no mercado. No caso bolonhês, são pessoas e famílias vulneráveis e empobrecidas, idosos em situação de abandono, imigrantes, pessoas em situação de rua entre outras. Para ser atendido por um empório é preciso se cadastrar nele, em um processo no qual a condição da pessoa e da família são analisadas para considerar a elegibilidade.

Os empórios têm um conjunto diversificado de produtos em suas prateleiras. Há alimentos de primeira necessidade e não perecíveis, o que no Brasil é chamado de “cesta básica”, há alimentos perecíveis como frutas, frios, hortaliças e muitos itens para uma alimentação saudável. Como se trata da Itália, é indispensável a farta diversidade de massas, queijos e embutidos. Há alimentos sazonais, como os panetones que chegaram às prateleiras depois do Natal. Há até alimentos ultraprocessados e menos saudáveis como biscoitos e guloseimas, aqueles que as crianças de classe média costumam levar para o lanche na escola. A justificativa da equipe foi que, caso as crianças e suas famílias queiram, não será por falta de acesso a esses alimentos que as crianças atendidas se verão em condição de inferioridade com relação a seus colegas de sala na escola pública.  

Mas há muitas coisas além de alimentos. Para crianças há fórmulas lácteas, papas, fraldas, materiais escolares e brinquedos. Há absorventes para as mulheres e produtos voltados a diferentes perfis, seja relacionado aos ciclos de vida, como idosos, seja devido às atividades culturais, como fantasias para o carnaval.

Os empórios desenvolvem ainda diversas atividades. Buscam capacitar as pessoas para a cidadania e para a inserção no mercado de trabalho. Usam o espaço como um polo de promoção de uma rede social comunitária. Assim, ensinam italiano, dialogando com as diferentes línguas que os imigrantes falam, fazem cursos para fazeres artesanais, como corte e costura e oficinas de bijuterias. Disponibilizam brinquedoteca para as crianças com idade inferior à da escolarização obrigatória e biblioteca com clube de leitura e empréstimo de livros.

Os empórios são mantidos por uma combinação de recursos. Há doações de pessoas e, principalmente, pactuações com empresas para doações regulares, especialmente supermercados. Para entender a relação com os supermercados é necessário tratar de uma regulamentação da União Europeia que buscou combinar segurança alimentar com redução do desperdício. É o Regulamento (UE) N.º 1169/2011 que exige que se coloquem duas datas de vencimento nos produtos. A primeira aponta a data na qual o produto tenderá a perder algumas de suas características, pode perder um pouco do sabor, por exemplo, mas ainda estará em condição de consumo consumível: escreve-se “consumir de preferência antes de…”. A outra data aponta a previsão de deterioração do produto que o desaconselha ao consumo humano seguro: escreve-se “consumir até…”. Os estabelecimentos de distribuição e venda não podem vender produtos depois da primeira data. Esse modelo, de um lado, tem reduzido o desperdício de alimentos pela população, que não descartam mais o produto após a primeira data, e, de outro, tem fomentado doações por parte das empresas de distribuição e venda. Os empórios sociais, restaurantes comunitários e organizações de filantropia têm recebido essas doações.

O governo da Itália, com orientação cada vez mais à direita nos últimos anos, reduziu diversos programas de apoio às populações vulnerabilizadas, imigrantes e, também, reduziu os recursos destinados a iniciativas da sociedade civil como os empórios. Neste último caso, existem ainda editais de concessão de recursos públicos para os quais as organizações que gerem os empórios concorrem, mas cada vez mais raros e com menos financiamento. Já a Comuna de Bolonha (administração municipal), há décadas com gestões e orientação de esquerda, tem mantido o apoio a essas iniciativas por meio da alocação de recursos e cessão de imóveis, meios de transporte, equipamentos, móveis e de funcionários públicos para as diversas atividades.

Mas, sem dúvida, o que mantém os empórios funcionando e crescendo é a rede robusta de voluntários organizados. Os empórios são organizações não estatais, geridas de forma colegiada, com participação de representantes das associações (religiosas e não religiosas) que os gerem, do Estado (Comuna de Bolonha) e dos usuários. Há uma massa de voluntários que assegura o funcionamento dos empórios no mínimo cinco dias por semana durante todo o ano. Em outra ocasião visitei, também em Bolonha, um restaurante popular com características semelhantes. Em ambos os casos a sustentação se dá pelo emprego robusto de força de trabalho voluntária que vai dos motoristas, transportadores, cozinheiros, atendentes, assistentes e responsáveis pela manutenção, limpeza e gestão. 

Nos restaurantes populares são cobrados valores muito mais baixos das pessoas que os usam, sendo gratuitos em casos definidos. Nos empórios existe um sistema que implementa uma moeda específica e local. De acordo com a situação e a necessidade das pessoas e famílias, elas recebem uma quantidade de pontos por mês. Podem usar esses pontos para “comprar” os produtos com regras de uso que regulam a disponibilidade estabelecendo máximos que cada pessoa ou família pode levar de um determinado tipo de produto em um dado período. O objetivo é regular os usos dos pontos de cada pessoa e família para evitar que alguns produtos faltem a outras, que haja desequilíbrio e que seja feita a revenda de produtos.

Também tem regras para o tempo que as pessoas podem usar os empórios. A lógica é apoiar a pessoa em situações de vulnerabilidade, mas partindo da ideia de que o objetivo é reinseri-la no mercado de trabalho de modo sustentável. Por isso a existência de atividades de capacitação para aumento da empregabilidade e o apoio para que acessem benefícios em programas sociais. Busca-se evitar uma situação de dependência. Claro, há exceções, como nos casos de crianças e idosos que não têm aposentadoria.

Considerando alguns conceitos caros à economia e à sociologia, como família, comunidade, mercado e Estado, podemos dizer que a experiência dos empórios sociais de Bolonha combina ações de solidariedade da comunidade (sociedade civil organizada e pessoas da cidade) com políticas públicas de apoio da Comuna de Bolonha com o objetivo de promover o bem-estar social a pessoas cuja situação de mercado e familiar não lhes assegura as condições mínimas de subsistência. As pessoas responsáveis pelo empório que nos apresentaram a experiência fizeram questão de afirmar, mais de uma vez, que promover o bem-estar social é uma responsabilidade do Estado, da comunidade e de cada pessoa. Disseram que se orgulhavam muito da comunidade de Bolonha ter um histórico de participação ativa e abrangente em ações de solidariedade. Citaram o próprio número de voluntários atuando cotidianamente na experiência como um exemplo concreto disso.

Ações como essa, que poderíamos classificar como híbridas por envolver o Estado, mas haver protagonismo, execução de atividades, uso de recursos e direção da sociedade civil, soam com certa desconfiança para pessoas no Brasil que atuam em prol de políticas sociais para ampliação e consolidação de direitos sociais. No Brasil, esta é uma agenda majoritariamente da esquerda e a esquerda brasileira tem, historicamente, uma referência estatista muito forte: seja legada por modelos locais, como o do Estado centralizado getulista ou do Estado desenvolvimentista, seja baseada em experiências internacionais, com a da antiga União Soviética. A ação direta de solidariedade quando relacionada a movimentos sociais ou organizações como as sindicais, é mais bem recebida que quando provém de uma mobilização mais autônoma da sociedade civil. Estas últimas acabam remetendo a experiências de filantropia no Brasil às quais a esquerda costuma reagir cobrando laicidade, sustentabilidade e criticando a inadequada transferência de responsabilidades que seriam do Estado para o terceiro setor e para a comunidade.

Não conseguimos aprofundar o assunto nesse nível no diálogo que fizemos no empório. Mas tentei compreender os valores, conceitos e percepções dos italianos que nos apresentaram a experiência. Eles pareceram ter uma tranquilidade muito maior com essas iniciativas híbridas. Mencionaram positivamente a força de ações com autogestão da sociedade e, parece-me, mal conseguiram entender que ali havia uma sutil “não convergência”, digamos assim, entre o que eles diziam e alguns dos que os escutavam. Perguntados sobre as responsabilidades do Estado, os italianos reforçaram, mais uma vez, a solidariedade e responsabilidade social como princípios, tendo a preocupação de não justificar isso em bases teológicas. No esforço de se fazerem compreendidos, usaram a expressão inglesa “accountability”, cuja tradução e uso no Brasil tem sido mais estreito do que o significado que eles tentaram expressar. 

Fazendo uma autocrítica penso que há mesmo em nós, da esquerda brasileira, uma dificuldade de compreender de modo diferente ações diretas das pessoas que não sejam lutas por direitos e pela direção da ação do Estado. Como exemplo, demoramos a perceber e compreender as complexas facetas das ações e redes de solidariedade que as organizações comunitárias religiosas protestantes neopentecostais conseguiram tecer nas comunidades mais vulneráveis de nossas cidades. Além da organização das práticas religiosas propriamente ditas, a igreja, suas lideranças e os “irmãos” constituem uma comunidade específica que atua para atender e acudir seus membros nas mais variadas dificuldades, para conseguir empregos para eles, cuidar de crianças e idosos do grupo, assegurar teto temporário em situações de necessidade, garantir clientela para um negócio que alguém da comunidade mantém, conseguir alimento e emprestar dinheiro para alguma necessidade etc.

Além dessa autocrítica, há outra reflexão mais profunda que pode ser feita usando esses conceitos de família, comunidade, mercado e Estado. Vou tomar como exemplo alguns estudos sobre as respostas e efeitos na população do avanço das contrarreformas neoliberais nos anos 1980 e 1990, aquelas que resultaram na perda de direitos e no desamparo social de importantes grupos sociais. A sociologia portuguesa, com destaque para estudos feitos pelo grupo de Boaventura de Souza Santos, analisou casos em diferentes grupos de países: países europeus mais ricos e desenvolvidos, países europeus que foram chamados de periféricos, como Portugal, e países não europeus em desenvolvimento, como o Brasil. Constataram que o modo como se combinava ação, reação, mobilização de recursos e assunção de responsabilidades pelas famílias e comunidades fazia diferença nos efeitos do retrocesso das políticas do Estado de bem-estar social.

Fazendo aqui uma apertada síntese, os estudos apontaram que os países que consolidaram mais o Estado de Bem-Estar Social de fato desmercadorizou diversas relações e serviços, como por exemplo, o cuidado de crianças e idosos, saúde, educação, medidas de amparo em situações de desemprego, reinserção no trabalho etc. As famílias e comunidades deixaram de fazer isso ao longo desse período, de modo que os laços familiares e comunitários necessários a essas ações foram desfeitos. Mas tampouco as pessoas precisavam comprar esses serviços no mercado, pois era direito de cidadania e assegurado por políticas públicas. Com o retrocesso no Estado de bem-estar social e interrupção de algumas dessas políticas, as famílias e comunidades não conseguiam mais assumir essas funções, parte crescente das pessoas, empobrecidas, não conseguiam contratar esses serviços no mercado e o resultado foi importante e abrangente desamparo social. Paradoxalmente, países com um Estado de bem-estar social menos consolidado, como Portugal, ou incipiente e incompleto, como o Brasil, mostraram mais resiliência, porque as famílias e comunidades não chegaram a deixar de fazer todas essas funções. De outro lado, sabemos também que a maioria dessas funções, quando realizadas pelas famílias, apresentam uma fortíssima diferença de gênero: recaem sobre as mulheres e as sobrecarregam com uma carga extraordinária de trabalho não remunerado.  

Perspectiva similar tem sido usada em estudos econômicos e sociais sobre a quem cabe a responsabilidade de sustentar e cuidar dos idosos em países como a China. Para conseguir compreender a situação e bem-estar dos idosos e como são as políticas de previdência social na China, ou mesmo a estranha falta delas, é central analisar o papel cultural milenar do confucionismo na responsabilidade que os filhos têm para com os seus ancestrais vivos. A mesma coisa sobre as políticas de emprego e assistência ao desempregado, que passam por compreender a relação entre comunidade, lideranças comunitárias, governos municiais e empresas na China. Ou seja, caso só se analise Estado e mercado, sem incluir as famílias e comunidades, a análise peca ao explicar o fenômeno.

Para concluir, penso que experiências como a dos empórios solidários e restaurantes comunitários de Bolonha, além de nos emocionar, devem ser matéria de análises profundas. Praticando o mencionado devir antropológico e usando essas ou outras tantas ferramentas conceituais na análise, devemos refletir sobre a experiência sem preconceitos. Podemos, a partir dos aprendizados oportunizados por ela, inovarmos nos modos de pensarmos iniciativas sociais e políticas públicas. Seja articulando ou não a ação direta da comunidade organizada com a ação do Estado, devemos buscar a mobilização de valores de solidariedade das pessoas, práticas de auto-organização da sociedade e dispositivos de participação popular que busquem assegurar, ao mesmo tempo, plasticidade, resiliência, sustentabilidade e mobilização progressiva de recursos, tanto os do Estado quanto outros tantos da sociedade civil.

Conhecendo Viena: Cidade Inteligente, políticas públicas e transformação digital

Em vez de pegar o avião em Bolonha mesmo, fiz uso do eficiente sistema ferroviário europeu e resolvi começar minha viagem de volta por Viena.

Um dos interesses é o estudo sobre Cidades Inteligentes que venho fazendo há alguns anos.

Junto com Copenhague e Amsterdam, Viena é uma das cidades que se destaca na Europa por ter estratégia integrada e visão de longo prazo para a transformação digital; usar intensivamente dados para melhorar a efetividade e eficiência dos serviços públicos, melhorar a qualidade de vida e incluir socialmente; e investir na mobilidade inteligente e na gestão de energia, água e resíduos.

De um modo geral, a Áustria está bem mais avançada que a Alemanha, por exemplo, na implementação de identidade digital segura e amplamente utilizada.

Tem interoperado dados, integrado e modernizado o serviços públicos com amplo uso digital da população e índices de satisfação que chegam a 75%. E o projeto Plataforma Industria 4.0 envolve o governo, centros de pesquisa e empresas na transformação digital do setor produtivo.

Voltando à capital, a transformação digital na saúde, especificamente, não é uma dimensão na qual Viena avança tanto, como Copenhague e Recife, por exemplo.

Mas Viena dá show com avanços nas áreas de sustentabilidade energética e ambiental; no transporte público, integrando os vários modais, promovendo o ciclismo, implantando semáforos “inteligentes” etc.; e na habitação…

O caso da habitação é um dos mais bem-sucedidos do mundo com uma abordagem estruturada há décadas em uma perspectiva social-democrata, com grande participação estatal e focada na equidade social.

São diversos os instrumentos utilizados na política de habitação vienense:

– programas públicos de financiamento de habitações acessíveis (tipo o “Minha casa minha vida”);

– estímulo para que o setor sem fins lucrativos construa habitações (similar a legislações anteriores de Buenos Aires);

– empresa municipal que planeja e executa a construção de moradias, a maior empresa municipal de habitação da Europa;

– gestão pública de Viena, historicamente, administra um percentual impressionante de moradias, aproximadamente 25% de todas as habitações de Viena, praticando aluguéis sociais para famílias com menor renda, idosos e primeira moradia de jovens (o que é uma crise em Lisboa, por exemplo); e

– legislação que coíbe preços abusivos de aluguel pelos proprietários das 75% de moradias que são privadas.

Com tudo isso a cidade busca equidade, regula os preços, se antecipa e planeja o espaço urbano, evita a gentrificação e assegura que pessoas de diferentes rendas tenham acesso à moradia digna e convivam no espaço urbano.

A transformação digital qualificou fortemente a política de habitação porque:

– facilitou o acesso das pessoas à inscrição nos programas e escolha dentre as opções;

– gestão de dados populacionais foi combinada como ferramentas digitais de planejamento urbano, na projeção de expansões, na intervenção no mercado de aluguéis etc.; e

– tem promovido cada vez mais a participação cidadã digital com consultas públicas sobre planos de urbanização e habitação, proposição de ideais dos cidadão, avaliações etc.

Lembrei dos austromarxistas, como Max Adler, Otto Bauer e Karl Renner. Na época do movimento estudantil os via com desconfiança, ao estudar políticas públicas, com respeito. Legaram estratégias políticas de longo prazo, valores sociais solidários e comunitários e uma estável arquitetura institucional.

Provas de Proficiência para Médicos e Dentistas: um remédio que erra o alvo, ataca a vítima e pode envenenar o sistema de saúde

Em “Provas de Proficiência para Médicos e Dentistas: um remédio que erra o alvo, ataca a vítima e pode envenenar o sistema de saúde” (que pode ser acessado aqui), artigo publicado no site Outra Saúde (Outras Palavras), Hêider Pinto analisa projetos de lei que buscam instituir provas de proficiência para médicos e dentistas.

Utilizando conceitos da Saúde Coletiva, da Análise de Políticas e da Sociologia das Profissões, o autor, cujo doutorado analisou 50 anos de políticas para a força de trabalho em saúde no Brasil, aponta, as falhas e insuficiências dessas propostas para enfrentar de fato os problemas da formação  de profissionais sem qualidade e sem necessidade social.

Hêider mostra porque a medida proposta, além de não resolver, agrava o problema e ainda ataca uma das vítimas dele.

Unificação dos Blocos de Financiamento do SUS: mais uma fake news

A fake news do Ministério da Saúde ou como o prefeito se lembrará de Ricardo Barros quando ficar inelegível por aplicar ilegalmente os recursos do SUS levado pela propaganda enganosa do Ministério da Saúde de propaganda



Já analisei os efeitos da pretensa unificação dos blocos de financiamento do SUS e como isso teria como consequência o desvio de recursos da Atenção Básica e a desresponsabilização do Ministério da Saúde em tempos de congelamento e redução de recursos da saúde.

Já argumentei aqui o quanto essa medida passou por cima do Controle Social do SUS e desobedece a legislação do financiamento da saúde.

Já Alertei também que acima das portarias ministeriais, existe a Lei Orçamentária e nesta o orçamento da saúde está consolidado em quase meia centena de programas.

O fato é que em qualquer processo administrativo (auditoria, por exemplo), dos órgãos de controle ou judicial, será analisado se o recurso federal foi usado de acordo com o objeto previsto em lei. 

E aviso, não adiantará o gestor iludido dizer que “segundo Ricardo Barros, que era ministro e fez uma portaria antes de sair como candidato, a gente podia gastar o recurso no que quisesse”.

Assim, uma Portaria que, em parte, regulamenta o que já é possível (colocar os recursos em uma conta) e que dá a ideia de criar o chamado “caixa único” de uso dos recursos (mas, em vários pontos, reforça os blocos com outro nomes e ressalva que têm que ser obedecidos os respectivos objetos), mas não cria porque não pode contaria a Lei Orçamentária, só pode ser vista como uma fake news que vende gato por lebre e que pode deixar muito gestor inelegível em 2020 (para 2018 não dará tempo).

O alerta está sendo dado aos gestores, também aos líderes das atuais oposições nas esferas de governo e, principalmente, às forças democráticas do controle social e movimentos de saúde e ainda aos diversos órgãos de controle que estão bem atentos.

Anotem aí!

Neste Link vocês podem ler a critica mais detalhada que fiz quando foi proposta a Unificação dos Blocos.

Formigueiro: projeto de formação popular

Nesse link você pode baixar a cartilha do Projeto Formigueiro, projeto de formação popular desenvolvido pela Central Única dos Trabalhadores, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, União Nacional dos Estudantes, Mídia Ninja e Movimento Nacional de Direitos Humanos.

Tive a honra de escrever o capítulo que trata do Direito à Saúde e propor o itinerário de formação nessa área.

Além desse capítulo tem também outros que tratam do Direito à Educação, Direito ao Transporte Público e Direito à Moradia.

Vale a pena dar uma olhada, ler, adaptar, mas, fundamentalmente, usar o que reinventar dela para ativar processos de educação popular.

À luta! Juntando gente, dialogando, mobilizando, esclarecendo, educando e aprendendo.

“Nova” Política de Atenção Básica?

A “Nova” Política de Atenção Básica de 2017: avanços, silêncios ruidosos e retrocessos esperados

Escrevo esse texto em um vôo entre Salvador e Porto Alegre na iminência de aprovação da “nova” política nacional de atenção básica (PNAB) na reunião de amanhã (27/07/2017) da Comissão Intergestores Tripartite (CIT). Esse texto será sintético ao máximo (ante a complexidade do tema) para ser direto ao ponto, acessível e escrito rápido.

Me baseei na minuta que circulou e que está acessível no link

Para baixar este texto em PDF clique aqui

Esse texto se divide em 5 seções:

– Avanços

– Um alerta: o que é a PNAB e como entendê-la. Texto e norma.

– Reforço de normas que já estavam em outras portarias.

– Mudanças de normas e, portanto, com consequências – sobre os ACS, sobre a equipe que não é de saúde da família e sobre o pacote mínimo de atenção básica.

– Conclusão.

AVANÇOS

De partida, é preciso reconhecer que a PNAB, enquanto texto, tem alguns avanços: sinais da vitalidade desse conjunto de sujeitos sociais e instituições que defendem e lutam pela atenção básica. O texto foi atualizado (a PNAB vigente é de 2011) incorporando referenciais, conceitos e elementos de outras políticas e ações que compõem a política de atenção básica em sentido amplo, além de debates atuais sobre o tema. Assim, foram incorporados também diretrizes, conceitos e aprendizados proporcionados pelo(a): PMAQ, Telessaúde Brasil Redes, implementação do eSUS, políticas de formação relacionadas ao Mais Médicos, Requalifica UBS, implantação dos protocolos de atenção básica, cadernos de atenção básica, ações de promoção etc.

Como exemplo, ficaram mais robustos os debates sobre informatização e direito de cada ente à informação, acolhimento, processo de trabalho, vigilância e promoção da saúde entre outros. Muitas coisas que eram “padrão de qualidade” no PMAQ (acesso, gestão do cuidado, participação do usuário, padrão visual interno da UBS etc.) ganharam o formato de texto na PNAB – incorporações positivas na maioria dos casos, mas negativas em outros, como direi à frente. Muitos conceitos que eram trabalhados em processos formativos do DAB e da SGTES, também o foram: do curso de apoio matricial para NASF à segurança do paciente e gestão do cuidado para as equipes.

Vemos também alguns modismos, alguns retrocessos em termos de conceitos, mas, sinceramente, no geral, o texto melhora naquilo que é diretriz de ação.

UM ALERTA: O QUE É A PNAB E COMO ENTENDÊ-LA. TEXTO E NORMA.

Contudo, há um alerta essencial: a federação brasileira impede que qualquer esfera executiva de governo determine ações e obrigações para outra. Ou seja, mesmo que na PNAB esteja escrito “tem que ser feito”, “deve” e etc. tudo não passa de recomendação, a não ser que se preveja uma conseqüência que esteja no âmbito do que o Ministério da Saúde (MS) tem poder para fazer. Exemplo: se há a definição do que deve ter obrigatoriamente em uma equipe, a conseqüência pode ser o não repasse de recursos para as equipes que não cumpram aquela condição estabelecida. Isso tem que estar explícito e normatizado conforme exige a legislação. Fora isso, “são só palavras”.

Claro que uma conceituação de acolhimento pode fortalecer o discurso de um gestor ou profissional em uma negociação com a equipe, mas o que fará ser implementada são todas e complexas ações, processos e negociações que terão que ocorrer para mudar as práticas, interesses etc. da equipe que faz (ou deveria fazer) o acolhimento. Também um gestor municipal pode incorporar uma atribuição profissional nova prevista na PNAB no estatuto do servidor ou no contrato de trabalho de uma categoria profissional, mas até fazer isso, se a regra atual o impedir, o que está na portaria ministerial seguirá quietinha lá sem condições de concretização. A portaria não tem a capacidade de sair andando e mudar o cuidado à saúde das pessoas nem a práticas de profissionais e gestores. Não adianta dizer a ela “levanta-te e anda”. Veja a tinta perdida na PNAB sobre financiamento tripartite com absolutamente zero de conseqüência.

Então, o que mais nos interessa é a PNAB como norma, atento ao que ela modifica de fato enquanto política do governo federal. Analisaremos isso a seguir e aí tem coisas muito preocupantes.

REFORÇO DE NORMAS QUE JÁ ESTAVAM EM OUTRAS PORTARIAS

Não gastarei tempo aqui tratando de temas que já estavam em outras portarias e que pretende-se incorporar na PNAB. Só darei dois exemplos. As regras que exigem implantação de prontuário eletrônico, sob pena de cortar o repasse de recursos. O alargamento das atribuições dos agentes comunitários de saúde (ACS), determinando o que é ampliado a eventuais normativas do MS (quem lembra da polêmica da portaria das atribuições dos ACS em meio à epidemia de Zika?). Ficarei nesses dois exemplos, para não tratar de vários outros e nem de temas que parecem que mudam, mas são reafirmados em suas potências (várias) e fragilidades (algumas importantes) como o NASF: situação na qual seus principais problemas não viraram objeto de ação.

MUDANÇAS DE NORMAS E, PORTANTO, COM CONSEQUÊNCIAS

Aqui residem as mais importantes e consequentes mudanças da PNAB. A PNAB tratou, por exemplo, de gerentes nas unidades, de educação permanente, de gestão do cuidado, mas, nesses casos, nenhuma norma/ação/dispositivo político/econômico/administrativo foi previsto para dar consequência ao texto: “são só palavras”.

Mas, alguns silêncios são ruidosos porque eles têm mais efeitos que centenas de palavras. Vamos a três exemplos?

– Não há mais um número mínimo de ACS obrigatório por equipe de saúde da família e eles são opcionais nas recém descritas equipes de atenção básica.

Procurem ver lá qual o número mínimo de ACS por equipe de saúde da família. Não acharão mais, antes eram 4 (e era definido na equipe de EACS), agora o texto não diz mais nada e lhe faz deduzir que seja 1. Assim, ao revogar a PNAB de 2011 nenhuma equipe de saúde da família será mais obrigada a ter 4 ACS. Se todas saírem de 6 (a média) para 1 o Brasil poderá ter na segunda feira seguinte menos 200 mil ACS. É um jogo de “engana Mané” dizer que a quantidade de ACS tem que obedecer a legislação vigente. Pois a que regulava o mínimo de ACS é a atual PNAB-2011. A legislação (emendas e leis) vigente dos ACS diz os critérios máximos para ter ACS em um município financiados pelo governo federal e recomenda o critério, mas não obriga mínimo nem por equipe nem por município. Ou seja, a PNAB muda algo no silêncio, talvez por receio da polêmica que aconteceu no ano de 2016 (quando se tentou desobrigar que as equipes tivessem ACS) e das promessas que o ministro fez para os ACS (de que não levaria isso a cabo).

– A “nova” equipe de atenção básica tradicional será ou não financiada?

A “nova” PNAB baseou no PMAQ as definições sobre o que seria equipe de AB não saúde da família só que, no PMAQ, isso só serve para reconhecer e autorizar que essas equipes possam se comprometer com diretrizes da PNAB e promover modificações no processo de trabalho, cuidado à saúde e etc. A intenção nesse caso é  induzir movimento na medida que uma que já exista possa se qualificar e, conseguindo ser exitosa nisso, receber recurso federal. Há uma preocupação de não comprometer recursos com modelos, muitas vezes, pouco efetivos e que não apresentem adequado custo-benefício e, ao mesmo tempo, reconhecer e valorizar aquelas que cumprem a PNAB mesmo se organizando com outra modelagem.

Muito diferente seria pagar a priori essas equipes. Nesse caso, teríamos uma espécie de inércia ou mesmo retrocesso adaptativo. O que poderia definir se um gestor optaria pela saúde da família ou outro modelo provavelmente seria o cálculo matemático do custo para o município (ainda mais em uma situação de perda real de financiamento federal da atenção básica já em 20% e com 20 anos de criminoso congelamento de recursos) uma vez que uma equipe precisa ter todos os profissionais em regime 40 horas e a outra não precisar ter nenhum ACS e nem profissionais de 40 horas. Façam as contas, vejam o que é mais barato: uma equipe com médico, equipe de enfermagem, equipe de saúde bucal e 6 ACS, todos 40 horas ou uma equipe sem ACS e com dois profissionais de cada só que cada um meio turno. Ainda que o MS pague só metade dos minguados 7 mil reais por mês que nunca mais aumentou, seria mais barato para o municípios ter essas equipes com profissionais de meio turno (que na prática vira: passar na unidade pela manhã, atender as fichas e ir para outro emprego).

Ora, esse pleito não é novo e sabemos que está presente nos “bastidores” da negociação da PNAB. Faz parte de dois pactos. Um na postura do Ministério com o SUS: já que eu não vou lhe pagar nenhum tostão a mais, porque o recurso está congelado e todo dinheiro novo é para emendas parlamentares e vocês sabem com qual finalidade, eu libero vocês para fazer o que quiserem, incluindo formatos que, se sabemos que tem resultados muito piores para a saúde do cidadão, de outro lado, vão gastar menos o seu dinheiro.

Outro na relação do Ministério e do Governo Temer com o setor privado. Há uma ação permanente de liberar ações, mercado, demanda e ativos do setor público para o privado. Isso está na tentativa de rever a regulamentação dos planos, de oferecer só um básico rebaixado no público, de ampliar a cobertura da saúde privada e paga e, em uma cajadada só, fazer com que os trabalhadores que atuam no público possam oferecer sua força de trabalho no privado (reduzindo o custo da força de trabalho) e reduzir a oferta e qualidade no público. Os planos de saúde, serviços privados periféricos, clínicas populares e “uber” da saúde agradecem.

– A PNAB define uma atenção básica mínima chamada de “essencial”?

Mais uma vez, a PNAB pega um conceito do PMAQ e o faz funcionar em contrário. No PMAQ, padrão essencial é aquilo que mais de 90% das equipes oferecem, mas lá se reconhece que esse mínimo é insuficiente. O Programa foi criado para desenvolver um processo incremental, que prevê o aumento da exigência a cada ciclo para provocar as equipes a fazerem movimento progressivo de melhoria: de um mínimo inaceitável rumo a uma situação desejável, passando por etapas cada vez mais exigentes.

A “nova” PNAB inventa um “padrão essencial” não como dispositivo analítico ou avaliativo ou ponto 1 de um processo com várias etapas e em movimento, mas como norma que, por si, é mais permanente e mais estanque. Aí mora o perigo: o que será considerado esse essencial mínimo? Qual a conseqüência disso em termos de financiamento? Quando seria revisto? O que determina e disciplina sua revisão? Quais interesses lhe conformam? Eu nunca aprovaria um texto desses (palavras) sem que o dispositivo objetivo da política pública estivesse claro.

Ora, poderá haver aqueles que recém descobriram mecanismos de gestão que foram populares nos planos de saúde no mundo nos anos 90 (que, diga-se de passagem, tiveram resultados pífios ou desastrosos na gestão pública européia) estejam animados com a adoção dos mesmos no Brasil. Ou poderia ser ainda um caso de má (malíssima, na verdade) adaptação de algo que poderia ser positivo enquanto escopo contratualizado com equipes e serviços (vinculados como empregados e serviços do ente que faz a política), mas péssimo como política pública nacional interfederativa. Enfim, difícil saber, pois a PNAB é lacônica sobre isso. Mas, no atual contexto, desculpem meu ceticismo, eu recomendaria aos defensores do SUS mais cautela que entusiasmo. E, se mesmo no entusiasmo não se pode dar passos em falso com a saúde das pessoas, imagina em momentos de cautela?

CONCLUSÃO

O texto tem avanços, e em minha opinião, eles são maioria frente a alguns retrocessos. Mas, a Política de Atenção Básica, enquanto norma política, é silenciosa, dissimulada, falta-lhe tanta coragem quanto lhe sobra de intenções não explicitadas. As notícias sobre como a PNAB está sendo negociada vazam a todo o momento. Sabemos que o Conselho Nacional de Saúde foi excluído do debate, mesmo tendo insistido muito em fazê-lo. Sabemos que ela está sendo construída em instâncias acima do Departamento e até da Secretaria responsável: as conversas que fazemos são “por cima” – dizem.

Por tudo isso, pergunto? Quem defende a publicação de uma nova PNAB, defende por que mesmo? Já que não tem nenhuma norma explícita (ou com coragem de ser explicitada) relevante que justifique a mudança da política de 2011?

Ora, se é uma questão de “dar um banho de loja” nos conceitos, façam uma Nota Técnica do Ministério e, com sorte e adequadas citações, dá até para tentar publicar como um ensaio em um periódico científico. Mas sabemos que esse (o texto) é só o pano vermelho que distrai o desavisado touro…

 

 

 

 

 

JÁ PAROU PARA PENSAR QUE VOCÊ PODE ESTAR VOTANDO ERRADO?

Ou no mínimo contra seus próprios interesses e convicções?

Conheço muita gente que diz que não vota em Partidos e sim em pessoas. Mas um olhar um pouco mais atento e consciente sobre como os deputados votam, mostra regularidades que são determinadas pela posição dos Partidos dessas pessoas. Vejamos um ótimo exemplo a partir de dados da Câmara dos Deputados sistematizados pela Nexo.

Se você foi a favor do Congelamento de Gastos da Saúde e Educação, é a favor da Terceirização irrestrita e da “Reforma” Trabalhista e votou ou pretende votar em 2018 em algum parlamentar que seja do PT, PCdoB, Rede ou PSOL, você está votando errado. Não teve sequer um deputado desses quatro partidos que votaram a favor de qualquer uma dessas propostas.

De outro lado, se você é contra qualquer uma dessas medidas lhe restara poucos partidos para votar porque a maioria de seus deputados votou a favor, mas sem dúvida alguma, suas piores opções são justamente o PSDB, o PMDB, o DEM e o PSD. O PSDB, por exemplo, chega a ser mais a favor dessas medidas que o próprio PMDB, como se pode ver nos gráficos.

Análises assim, são ótimas para, além do senso comum, a gente perceber que os vários critérios que usamos para votar em quem votamos, importam muito, mas tão importante quanto é o Partido que ela faz parte e a posição desse partido sobre as coisas que queremos ou não queremos para o país.

Mais informação, mais análise, mais sabedoria e mais consciência, só podem fazer bem à democracia.

Veja a matéria completa com os gráfico no link abaixo.

Link da matéria do Nexo

Terceirização: boa notícia para quem tem capital, péssima para o trabalhador

Boa notícia para quem tem capital e péssima para quem é trabalhador:

Primeiro para você que tem capital.
Com o que o Governo Temer e o Congresso fizeram nessa noite com a CLT a dica é a seguinte:
1- crie uma empresa de terceirização;
2- identifique as áreas que mais têm a lucrar, demitindo seus funcionários e passando a terceirizar, e anuncie que fornecerá mão de obra pra essas áreas;
3- anuncie aos quatro ventos que você tem um método de treinamento que prepara profissionais em um mês, assim sua mão de obra será sempre temporária e, justamente por isso você oferecerá o menor preço do mercado;
4- bote postagens no face e linked in mostrando que você não hesita em tratar os trabalhadores como escravos, mas faz isso em acordo com as novas leis e com técnicas de psicologia corporativa que os manterá colaborativos nos 9 meses que poderão trabalhar para sua empresa;
5- coloque ações de sua empresa na bolsa e não esqueça de dizer que seu esquema é à prova de greves.

Pronto, você tem grande chances de ficar ainda mais rico às custas da exploração, sofrimento e desgraças dos outros.

Se você é trabalhador. Amigo, depois de congelar os gastos sociais por 20 anos, o que bota uma pá de cal na chance de termos saúde e educação que preste para quem não pode pagar, os caras resolveram rasgar a CLT e lhe colocar de novo no tempo da escravidão:
você trabalhará até morrer (se aprovarem a reforma da previdência) e em condições abjetas e sem direitos porque aprovaram a reforma (desmonte) trabalhista nesta noite enquanto você assistia a mais uma fase da lava jato.

Infelizmente, isso que fizeram não é corrupção, então nenhuma operação da policia federal vai desfazer (pra você ver que tem coisas que mudam mais a sua vida que os desvios de verbas feito pelos mesmos caras que acabaram de arrancar seus direitos).

Vou lhe dar a real: a “casa grande” surtou com a crise internacional, acabou piorando a crise nacional e decidiu que ela não perderá nada e desmontará tudo que foi feito de conquistas para os trabalhadores nos últimos 13, 29, 72 anos para assegurar os ganhos e padrão de vida dela.

Vou lhe dar uma dica, se liga que a TV e os Jornais fazem parte dos que tem capital e empregados, então eles têm lado e não é o seu;

decide se quer trabalhar como escravo até morrer ou não, e se decidir que merece sorte melhor que um antepassado seu, branco ou negro, mas pobre e que viveu há 100 anos, procura os seus, se junta com eles e radicalize amigo: é rua, luta, manifestação, operação padrão, paralisação, greve geral e tudo que faça com que lhe devolvam tudo que estão lhe arrancando, inclusive a democracia.

Lembra quando eu lhe dizia contra quem era o golpe? Você já descobriu que era contra você e está vendo que é contra seus filhos, netos e bisnetos.